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Palavras sujas e nuas


A inconsciência é minha pátria, a consciência é meu exílio (E.M. Cioran)


           Estou errando constantemente o alvo pois a miopia destes meus atos incoerentes nem me permitem saber o que é a flecha. Você é quem diz que eu preciso de centro, que insiste nas metas e no conserto desta minha incorrigível mania de quebrar o que está sempre muito ajustado. O clima das coisas é só medida de nossa capacidade de lidar com nossa exigente falta. E quem me leva à procura dos meus paraísos perdidos? Não quero a lei, ainda que ela exista e seja o império da convivência, ainda que sempre me reste a dúvida e nunca entendo se a premissa que se aplica ao rio serve também para a gota d’água. Ao indivíduo, em suas partições, não é permitido falar do seu complexo sistema, do seu corpo inteiro. Se puder satisfazer-se com meus fragmentos, teremos tempo para nosso talento. Vou desejar, ainda que o desejo seja o cachorro louco que eu nunca quis criar, por morder impertinente o calcanhar da gente e ainda assim vive mantido à porta da casa. Mas já não prometo nada, nem tenho certeza de que quero cura, nem sei saber se busco outro céu, outro guia, outro amor. Que auxílio poderia oferecer céu, guia e amor a quem já se sentiu traído por Deus e pelo Diabo? Continuaremos sem saber que horas são, perguntaremos ainda a muitos transeuntes o vagar do tempo e a secura do clima, a avidez da corrida e a distância do alvo. Porque a consciência exige orientação e eu quero saber aonde ir. To errando o alvo, to errando o meu centro, não sei em que parte ficou o espelho que melhor me reflete e, como se não bastasse, não arrumei a mala... portanto, por hoje não vou a lugar nenhum!


 



Escrito por Jorge Alessandro às 11h10
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P O E S I A R E V E L A D A E D I S T R I B U Í D A. Gustavo Haum

Tá avisado! Quem falar de poesia  paga o resto do contrato!

1.

Manhã que me detesta

Enquanto for manhã

Quintessencia do infinito

E corre sol alto livre

Em quem é em quem

Fim do que esperou a fuga

Do que não vem.

 

2.

 Tarde que se benze

Lua flor em mim

O frêmito dos seus braços

Escondem os meus pecados

Dissonantes dos meus enlaces

Fogo de vitrine andaluz.

 

3.

 Noite caleidoscópio de mim

Vai e vem noite

Feito fluxo de maré

Vem e vai noite

Sem me dizer quem é

Quem será, quem foi.

 

4.

 Madrugada a dentro

Resto de mim

Início de sobras

Que fica remoendo



Escrito por Jorge Alessandro às 12h09
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