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Se você tem estômago para uma dose de realidade social brasileira, clique na imagem e assita ao documentário ILHA DAS FLORES. Neste curta, Jorge Furtado, através de uma linguagem que mistura colagens e circulos viciosos analisa com humor ácido os passos que tornaram o homem o mais descartável dos bens na sociedade capitalista. Ao terminar a exibição, respire fundo e continue fingindo a vida digna e livre!!! He he he he he he he

Escrito por Jorge Alessandro às 12h15
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ETNOCENTRISMO... pra Deus dizer amém!!!???


A três dias atrás recebi uma mensagem eletrônica de um amigo que me convidava a juntar-me numa cruzada contra a exibição de um certo filme que estrearia em algum lugar e cujo roteiro exploraria a imagem de Cristo e seus discípulos de forma pouco ortodoxa. A carta, com permanente tom de resignação e desejo de desagravo, iniciou em mim o longo fio de um pensamento sobre os nossos jovens religiosos. Parece que ser religioso, ou amar a Deus, “servir” sua igreja deixa notável falta de percepção da realidade prática e o preconceito e fundamentalismo passam a ser a tônica de suas falas de ações.
A mensagem veio recheada de um purismo que me comoveu. Ora, porque vemos quase sempre a televisão nos afirmando em repetidos noticiários que quem constrói uma cerca de arame e de bombas em torno de seus pensamentos são os árabes, os mulçumanos, mas a mensagem me mostra agora que fundamentalismo todos aprendemos com muita facilidade, pedir um abaixo assinado para que um filme não possa ser exibido é a prova cabal desta ilógica posição dentro de uma sociedade democrática. A teocracia cristã mais uma vez está estabelecendo seu desejo de domínio na terra tupiniquim.
Para começar a analisar os disparates, o único defeito de qual o filme é acusado é apresentar “Cristo e seus discípulos como homossexuais”. (Alguém pode encontrar na constituição brasileira a cláusula ferida?)
Primeiramente, pressupõe-se que um filme seja ficção, imitação simbólica, na verdade o diretor de cinema tem liberdade de expressão e pode representar suas metáforas como bem entender... Basta olhar Cristo no cinema e ver quantos bonecos mentirosos foram usados. Quem acham daquele de olhos azuis e jeito de galã do Franco Zefirelli? E os pintados ao modo revolucionário para interessar a este ou aquele partido? Quantos Cristos feriram até mesmo as descrições evangélicas, mas como não feriram nossa bucólica moral burguesa foram todos admitidos... Ah, mas um Cristo gay não serve, qualquer mentira menos algo que ofenda esta imaculada moral mais romana que cristã. A palavra nojento foi usada para referir-se ao novo Cristo alegre, é “nojenta” sugestão gay? Mas vejam só, resta um pouco em matéria de humanismo para aprendermos!
Gente inteligente e livre não luta para banir o que é diferente, ao contrário, encara o diferente e se por acaso sua verdade é mesmo verdade não há de temer sua passagem... O que será que os jovens fundamentalistas do novo século estão temendo?
Ao final da mensagem li a tentativa de instaurar o “terror”: “Quem me negar também será negado!” Mas se preferimos a adaptação irônica, teríamos: Vamos soldado, é sua missão eliminar tudo que não é cristão, banir todos os vendilhões índios, prostitutas, negro afoxé, pederastas de esquina porque o reino de Deus precisa ser implantado aqui...
E lá vão as procissões de quem teve a visão (e não conseguiu ver mais nada)... Mas não temam pensar diferente, existe uma sorte no exílio; as religiões nos tentam impor a sorte e talvez ela venha, talvez seja possível acreditar que quem gosta da diversidade não será obrigado a viver sobre os tons monocórdios da “verdade” do outro e acreditar que apesar de seus percalços os bruxos sempre sobrevivem às santas inquisições.
Escrito por Jorge Alessandro às 02h26
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Fico aqui hoje...
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Somente às vezes tomo consciência de que a falta que sinto e está lá dentro não pode ser contada, ninguém o saberá, ultrapassa e amplifica os conceitos de razão ou possibilidade. E penso que não faz bem a você conviver com minha solidão; ela não tem nenhum luxo, não é poliglota, nunca usou cruzes nem psicanálises. Ela é dura e não sai com sabão nem oração de avó, é boca porca no corredor e atrás das portas.
Não entende que também sinto, e que minhas fibras de macho ofendido, contraídas todas, reclamam pela minha dose de loucura? Mas hoje não dá pra fugir de casa pois não conseguirei pular os muros, disfarçar a cara e sumir. Você pode ir e sem o menor escrúpulo de desejar, quem esconderia este cheiro? Eu não tenho que estar certo. Saia de estrondo e deixe a minha memória em paz, e não me dê sustos aparecendo na janela como quem quer nada e quer tudo, não entre de repente no meu único longo sono, não vem fazer cócegas no meu peito como quando me colocou doente. Saia apagando a imagem porque esta luz é coisa tua, ela pega a diligência e vai no vapor falando dos teus jeitos e da expressão que ela banhou por último... Tá vendo como fico? Começo a falar piegas e a lacrimejar sem conseguir unir o nexo da trama que crio para dois papéis.
Eu sei, sei disso. Na verdade eu sempre soube, mas nunca quis falar a você desta minha permanência na casa; talvez você estranhe porque tantas vezes lhe disse que eu gostava de partir e que meu pé não se cansaria se você ousasse viajar também. Vou ficar e vou cumprir a promessa, sei que jurei na carne, no sangue, no ID, no centro.
Porém, na condição de que eu fique aqui onde estou, você pode ir. Vá construir edifícios, juntar a argamassa, vá curar seus mortos, vá dançar balé, segurar a máscara, cuidar dos bichos, educar um filho porque eu vou fazer o que fiz ontem, toda a vida. Vou andar no asfalto que me é real e comprar o pão mais real, perder o ônibus, perder o pão, olhar o povo sem me sentir povo, julgar o homem sem que eu me sinta homem, vou sentir tesão, gozar sonhinho, limpar a mão, esperar o toque da campainha, dormir real sem ver se ficou bonito.
Fica com raiva não. Revelando agora não me perguntarão depois me incomodando nas ruas. Saberão assim que “meu lirismo não tem pedigree” e entenderão que o cabaré leu meu conto inédito e em pouco tempo aprenderam meu nome e – nas próximas duas danças - vão esquecer.
Escrito por Jorge Alessandro às 00h55
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"A lucidez perigosa"
 Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.
(Clarice Lispector, "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999)
Escrito por Jorge Alessandro às 09h58
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Escrito por Jorge Alessandro às 22h52
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Nada que mereça ser contado. Todos os meus estados de nervo são coisas já contadas pelo mais repetitivo prosador... Mas acho que ainda não falei que hoje arrumei a cama, logo eu, que nunca arrumo coisa alguma e por isso levo o fardo mais pesado, eu arrumei a cama... eu mesmo me peguei no exato momento do meu flagra íntimo sorrindo da evidência. Mas há sempre um dia de graça, aceita! E eu aceitei que naquele momento eu era um pouco mais que eu, que eu me ultrapassava para arrumar o que eu jamais arrumaria, entendi que arrumar a cama era mais que arrumar a cama, era arrumar os ossos da casa, os pequenos sustentáculos do tenho dentro da casa, eu sei que eu pagava o pé de um pequeno mistério.
Quando coloquei o lençol, que só estava um pouco amassado sobre o fofo do colchão, confesso é que vi a mancha de meu desejo, pois nunca me limpo do que me foi bom, para que o sentido me repita na carne e me grave no fim do feliz não-retorno. Não me importa o que jogam no meu sexo, ele é puro como a carne, e erótico como a luz baixa, se o acaricio então Deus é amor, e não há dúvida, a glória se manifesta em mim em dias assim.
Passo a lembrança, arrumo os últimos desarranjos que eu mesmo causei e sei que a vida é para mim, ela me elegeu, e eu sou daqueles que sempre vai, sou dos que não negam nunca a voz tirana da matéria andante. Ninguém precisa me lembrar que ainda mantenho as louças na pilha dos não-tratados, sei disso, mas não vou para agora pois atraso eu não admito e continuo, pois santo eu não quero, não gosto! Suspendo o cinto, uso o luxo do espelho quando tantos aí fora não querem a si, finjo ser eu no mais infinito dos dias e vou pra rua.
Escrito por Jorge Alessandro às 22h50
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Elloah Monteiro e eu!

Escrito por Jorge Alessandro às 09h04
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É preciso graça e gana pra viver! Eloah é uma aluna que me apresentou as duas coisas, graça, numa personalidade incrivelmente doce a amiga e gana por meio de sua irreversível vontade de brigar e falar quando ela acha que sua voz é necessária. É atriz, é leitora, é poeta... e neste blog ela faz sua estréia... Leiam os poemas com cuidado... vocês estão lendo corações... grandes corações!!!!
Meu amor (Eloah Monteiro)
Meu amor não se esconde entre, Monólogos ou poesias Secreto e em agonia Está perto a alegrar e sufocar A tocar-me com o olhar
Meu Amor não é nenhum grego deus Com alva pele e olhos cor de mel É um deus negro sem nome ou perigeu Apenas o amo e parece ser meu
Meu amor vive em mim E pulsa junto ao suor Que o meu corpo trêmulo exala No exato momento em que Meus olhos percebem que ele se aproxima
E rimos juntos; E choramos juntos; E amamos juntos... Naquele inverno que mantém prisioneira minha lembrança
Em meu corpo é Rei Em minha vila tempestade Em minha trilha é lei E em meus lábios milagre
Se realmente sucedeu? Se não fora, em inércia, sonho meu? Não sei, não sei ao certo como aconteceu Apenas o amo e parece ser meu
Escrito por Jorge Alessandro às 19h50
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Anna Karenina, 2º ano do colégio Piedade. Poeta, amiga, grraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande aluna!!!!

Escrito por Jorge Alessandro às 17h56
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A alguns dias atrás, em uma de nossas aulas, Anna veio tirar uma dúvida sobre construção poética e acabou por declamar este poema... Bem! Para quem ensina literatura não existe maior alegria do que perceber que os seus alunos, mais que lerem, fazem literatura... torna a disciplina um elemento vivo, pulsante...
EU, MAIS ISSO OU AQUILO?
Recito para expressar – me
Para chorar e para sorrir
Para falar e para sentir
Para falar de verdade
Para falar de falsidade
Ora entristeço – me, ora alegro – me
Ora acalmo – me, ora inquieto – me
Ou isso ou aquilo?
Não tenho como traduzir – me
Porque sou um pouco de tudo
De coisas do outro mundo
Porque faço de mim,
Ou não sei se é porque sou assim,
Uma antítese, um paradoxo.
Talvez porque dentro de mim está o remorso
De sentir coisas que se contradizem
Não há o que explique
Mas quem sabe assim
Não vivemos tanto na monotonia
Levando a vida como uma bela melodia
É difícil traduzir minha tradução
Eu. Mais isso ou aquilo?
Afinal, o que será que eu sou então?
Escrito por Jorge Alessandro às 14h23
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A inconsciência é minha pátria, a consciência é meu exílio (E.M. Cioran)
Estou errando constantemente o alvo pois a miopia destes meus atos incoerentes nem me permitem saber o que é a flecha. Você é quem diz que eu preciso de centro, que insiste nas metas e no conserto desta minha incorrigível mania de quebrar o que está sempre muito ajustado. O clima das coisas é só medida de nossa capacidade de lidar com nossa exigente falta. E quem me leva à procura dos meus paraísos perdidos? Não quero a lei, ainda que ela exista e seja o império da convivência, ainda que sempre me reste a dúvida e nunca entendo se a premissa que se aplica ao rio serve também para a gota d’água. Ao indivíduo, em suas partições, não é permitido falar do seu complexo sistema, do seu corpo inteiro. Se puder satisfazer-se com meus fragmentos, teremos tempo para nosso talento. Vou desejar, ainda que o desejo seja o cachorro louco que eu nunca quis criar, por morder impertinente o calcanhar da gente e ainda assim vive mantido à porta da casa. Mas já não prometo nada, nem tenho certeza de que quero cura, nem sei saber se busco outro céu, outro guia, outro amor. Que auxílio poderia oferecer céu, guia e amor a quem já se sentiu traído por Deus e pelo Diabo? Continuaremos sem saber que horas são, perguntaremos ainda a muitos transeuntes o vagar do tempo e a secura do clima, a avidez da corrida e a distância do alvo. Porque a consciência exige orientação e eu quero saber aonde ir. To errando o alvo, to errando o meu centro, não sei em que parte ficou o espelho que melhor me reflete e, como se não bastasse, não arrumei a mala... portanto, por hoje não vou a lugar nenhum!

Escrito por Jorge Alessandro às 11h10
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P O E S I A R E V E L A D A E D I S T R I B U Í D A. Gustavo Haum
Tá avisado! Quem falar de poesia paga o resto do contrato!
1.
Manhã que me detesta
Enquanto for manhã
Quintessencia do infinito
E corre sol alto livre
Em quem é em quem
Fim do que esperou a fuga
Do que não vem.
2.
Tarde que se benze
Lua flor em mim
O frêmito dos seus braços
Escondem os meus pecados
Dissonantes dos meus enlaces
Fogo de vitrine andaluz.
3.
Noite caleidoscópio de mim
Vai e vem noite
Feito fluxo de maré
Vem e vai noite
Sem me dizer quem é
Quem será, quem foi.
4.
Madrugada a dentro
Resto de mim
Início de sobras
Que fica remoendo
Escrito por Jorge Alessandro às 12h09
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U M A C R O N I C A P A R A D I A S D E C H Á , A L M O F A D A E P A L A V R Ã O
D E S P E D I D A S
Aprendi muito cedo a arte de despedir. E eu mesmo com uma certa dificuldade é que acabei por faze-la arte - momento de proclamar a grandeza e onipotência do Senhor. Sempre conduzimos tudo ao costume - mania dos homens do nosso tempo – como aquele senhor que passa diante da coleção de jardins holandeses e continua a ler seu jornal. Estranho! As exóticas bem que mereciam sua atenção.
Sou um homem triste. Meu corpo é só ausência. É a cidade pequena que deixei, as duas que amei e a dúzia de quem lembro quando acredito em Deus. A tristeza é a despedida. Toda tristeza é uma ausência, é um sentimento ante uma beleza que se perdeu, um espaço vazio onde antes houve um encontro, uma mutilação em meu corpo.
Tive um professor que, mais tarde, numa biblioteca, esbarramos na pesquisa de um mesmo tema versado. Naquele dia, não pegamos livro algum, mas fomos ler o Atlântico numa tarde de semana, caminhamos algumas métricas falando de nossas viagens, de Deus e suas viagens, comunidades judias e outros assuntos intrometidos. Fomos assim, até que o sol fosse embora - maneira estranha de despedida é o crepúsculo - quando chegou a nossa vez, e eis porque a lembrança deste amigo, ele disse em pincelada de brincadeira: Adeus! E como se costuma dizer, para consolar as partes que partem, ascendendo nelas a esperança de um novo encontro: até as pedras se encontram! Eu mesmo me utilizei disso uma ou duas vezes: Não liga, Marcelo! Até as pedras se encontram! Mas confesso, ainda não compreender plenamente o processo deste consolo.
Imaginei que alguém pudesse, andando, tropeçar numa pedra e depois de dizer umas poucas e boas, atirá-la mais longe que sua ira. Esta pedra bateria em outros corpos e quando acalmasse o seu percurso encontraria outras pedras, e outras pedras seriam atiradas em outras pedras, de novos pedregulhos para novos pedregulhos, nesta louca interação das rochas. Não sei se entendi bem o conteúdo daquilo que esperava ser o prenúncio de um reencontro, nem sei se verei novamente o professor ou o amigo - já despedi-me há muito tempo - mas agora, não posso evitar, toda vez que vejo uma pedra sozinha apanho-a e a deixo ao lado de outra.
Escrito por Jorge Alessandro às 02h04
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Essa turma é muito boa...

Escrito por Jorge Alessandro às 21h28
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TAÍ MAIS UM ESPAÇO PARA QUE AS PALAVRAS ESCAPEM...

Escrito por Jorge Alessandro às 21h56
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